<i>Guernica</i> em Viseu
«A Arte Denuncia a Guerra» foi o tema da palestra que, no dia 15, acompanhou a inauguração da exposição «Guernica» na galeria do Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ) em Viseu. Um dos oradores, José Pessoa, sublinhou a necessidade de falar das histórias das guerras para «criar uma consciência activa de defesa da Paz». É este o objectivo central da exposição, preparada para a Festa do Avante! de 2012 e que desde então anda a percorrer o País.
Acompanhando a projecção de imagens com palavras de compromisso, José Pessoa prendeu a audiência durante mais de uma hora com a sua intervenção: «Todos somos responsáveis pela guerra e pelo sofrimento horrendo que ela causa, se não formos capazes de dar o nosso contributo para a evitar», afirmou, acrescentando que o holocausto «não se cingiu a um determinado momento histórico», já que todas as guerras dizimam gente inocente que «ambiciona viver em paz». Estas palavras foram capazes de transformar as fotografias dos horrores causados pela guerra em mensagens de esperança num futuro pacífico para a Humanidade.
Enquadrados pela monumental reprodução do quadro original de Pablo Picasso e pelos desenhos e estudos que o antecederam, envolvidos pela poética de Carlos de Oliveira interpretando cada fragmento de Guernica e pela beleza contagiante do poema de Eugénio de Andrade, dedicado ao velho carvalho sobrevivente aos bombardeamentos, as largas dezenas de participantes aplaudiram longamente, no final, a dissertação do historiador. Esta foi a primeira iniciativa da exposição «Guernica» e deu azo a comentários elogiosos dos presentes: «Ainda bem que vim!»; «Obrigada»; e «Quinta-feira cá estarei de novo», numa alusão à apresentação do livro de Federico García Lorca «Alocução ao povo da aldeia de Fuentevaqueros», que é hoje, 21, apresentada no mesmo local (às 21 horas), com música ao vivo de Paulo Vaz de Carvalho e Catarina Braga.